Eu já contei muita história de porrada essa semana, na verdade esse tema predominou aqui no blog. E claro apesar de existir inúmeras histórias, mesmo eu odiando a porradaria, decidi encerrar essa semana com uma história que eu considero clássica e verdadeira, mais uma daquelas que você pensa ser brincadeira.
Enfim esse foi um dos momentos onde passei o maior medo de toda a minha vida, e também onde ficou claro a quantidade de malucos que existem no planeta. Como já era de se esperar, mais uma vez a história se passa em um show, dessa vez: Sepulfest. Se divirta.
Infelizmente eu nunca fui a um show do Sepultura com o Max no vocal, então não considero que tenha visto realmente a banda, mesmo gostando do trabalho do Derrick. O engraçado é que sempre que vou a algum show da banda, acabo com alguma história sobre confusão, inclusive quebrei o nariz de um cara uma vez no programa Musikaos, foi sem querer e o próprio cara entendeu, mas isso deixa para outro dia, pois a história é bem maior e vale à pena.
O dia era sábado, acordei almocei calcei meu coturno, minha calça jeans, minha camiseta preta e minha touca preta e me já estava pronto para o show. Topei o meu irmão, Jano, Godoy, Beavis e mais uma galerinha e parti para o show, sempre respeitando a regra de ir com o menor número de pertences possíveis. O local escolhido para o festival foi o Espaço das Américas localizado na estação Barra Funda do metrô, então não tinha erro, bebida liberado para todo mundo.
Fato, morar no Jabaquara e sair assim em galera exige uma visita ao Pão de Açúcar da região, não é propagando, pois o lugar é careiro pra cacete, mas é colado no metrô e com muitas opções de bebidas. Logo já estávamos carregados até aguentar o horário do show que começaria às 18h.
Vodka, Absinto, Conhaque, Contini, uma boa variedade de bebidas sendo consumidas no caminho. Apesar de parecer exagero, não demorou muito para vermos as garrafas vazias antes mesmo de chegarmos ao nosso destino. Descemos do metrô e resolvemos calibrar mais ainda, entre uma dose de bebidas inventadas na outra e uma cerveja, confesso que meu estado ali foi completamente alterado. Sendo assim começo a causar com todo mundo na porta. Incrível as amizades que faço nesse tipo de evento, o engraçado é que por se tratar de época de eleição, fiz campanha para o Zé do Caixão na porta e ganhei 5 reais, camisinha, CD entre outras coisas.
Todo mundo conversa comigo lá fora e penso comigo que o show seria tranquilo, pois os laços de amizade já haviam se estabelecido, mas mal sabia eu que não seria bem assim que aconteceria.
Encontro um casal de amigos na porta, distribuo panfletos do Zé do Caixão, digo para o meu irmão que os dois eram muito quietos para frequentarem aquele tipo de ambiente, mas alguns anos depois eu receberia uma grata surpresa. Tipo, só uma pausa rápida, mas eu comi a mina do cara, claro depois que eles terminaram e de quieta ela não tinha nada.
GOOD TO ME!!!
Enfim meu irmão me avisa que era melhor entrarmos afinal as bandas seriam massacrantes principalmente à de abertura, confira a ordem:
- Claustrofobia
- Massacration
- Nação Zumbi
- Ratos de Porão
- Sepultura
Não deu outra, entro já direto para a roda algo assaz engraçado, pois raramente costumo cair nessas rodas, dessa vez caí duas vezes, não fui pisoteado, pois um camarada meu HUGE me salvou na primeira queda. Já na segunda, foi bizarro, eu tipo perdi minha blusa e um celular veio em minha direção pelo chão. Na hora que tentaram pegar eu instintivamente chutei para frente e achei minha blusa, eu derrubei meu adversário recuperando minha blusa e meu irmão acabou ficando com o celular sendo que nunca ligaram para o número. Então tá.
Show do Claustrofobia maravilhoso termina com aquele sabor de quero mais, a roda é divertida e a galera decide se reunir em um canto para ficar bolando idéia. Nesse instante uma mina antiga da banca que passou na mão de várias pessoas se aproxima querendo fumar um banza, tava sussa já de goró, mas fico com a galera enquanto uma das pessoas prepara o pastel.
Primeiro Round
Enquanto a galera que estava conosco fumava o banza e a mina me xavecava e o Índio descaradamente um cara do nada passou e pisou na perna do Jano. Esse meu amigo que sempre adorou arrumar briga até que foi tranquilo e soltou um básico: “Ei tome cuidado”. Só isso teria resolvido, mas o cara resolveu simplesmente abaixar e falar “Toma o cuidado o caralho fica quietinho aí na sua que é melhor”.
Não tiro a razão do meu camarada que na hora levantou já dando uma cabeçada, em seguida foi uma sequencia de murros linda, pois os amigos deles foram para cima do Jano, mas todo mundo levantando ao mesmo tempo foi assustador. Cada um acertando em cheio a face do outro, achei simplesmente sensacional. Enfim, eu e o Índio nem precisamos nos mover, a briga já havia sido ganha.
Vale notar que apesar de nunca ter sido comentado esses incidentes em outro site o local estava tomado por carecas, e brigas começavam a toda hora em todos os cantos então digamos que o clima estava bem tenso.
Rola o show do Massacration de forma bem tranquila e divertida, achei que seria uma bosta, mas gostei pra caralho do que vi. Sério mesmo, apesar de ser uma paródia e zuar com os headbangers é só ligar o foda-se e tudo fica resolvido.
A galera se espalha, estava impossível encontrar todo mundo, então praticamente a turma de vinte pessoas se resumia apenas a mim, o Jano e meu irmão Beavis, era hora de termos controle sobre a situação, pois qualquer erro poderia ser fatal.
O show do Nação Zumbi começaria em breve, então decido comprar mais cerveja e aviso meu irmão, pois eu curto a banda demais, mal sabia eu que um novo detalhe atrapalharia o evento.
Segundo Round
Começa o show do Nação, e a barulheira predomina, som de muita qualidade por sinal. Uma roda está aberta, mas prefiro não entrar dessa vez, nunca tinha assistido a um show do grupo então queria ver de boa, mesmo com muito álcool na mente.
Então um retardado, só assim para definir essa pessoa começa a se debater do lado da galera que NÃO estava na roda. O pessoal começa a se sentir incomodado, principalmente meu irmão que é bem mais esquentado que eu. Entre um empurrão e outro do ser, o sangue do meu irmão começa a subir e dar algumas cotoveladas com força no cidadão para ele parar, mas o idiota decide acertar meu irmão transformando aquela pequena faísca em uma grande explosão.
Meu irmão puxa o cara e o joga no meio do bate-cabeça esmerilhando na porrada. O cara tenta fugir da roda, mas meu irmão pega o cara maior que ele por sinal e diz: “Você não queria bate-cabeça então toma o seu bate-cabeça”, e é murro atrás de murro. Não deu outra, o amigo dele vem correndo por trás do meu irmão, como aconteceu no show do Megadeth para acertá-lo desprevenido. Evidentemente que precisei dar aquela cutucada no ombro do infeliz e assim que ele olhou para mim soltei “pelas costas é covardia” e toma porrada na cara.
A galera que estava irritada com o moleque morde forte e começa aplaudir a surra liberando espaço para continuarmos a sentar o cacete nos dois. Foi um massacre, só paramos de socar os caras quando eles estavam na porta do lugar pronto para ir embora. Sim expulsamos os dois do show e alguém me pagou cerveja, não sei se foi por isso, mas aceitei de boa afinal eu e meu irmão éramos heróis.
Ainda faltavam duas bandas para o show acabar e o cansaço batia forte. Converso com o Jano que decide assistir o show de longe devido à quantidade de carecas do local e eu digo que não precisávamos nos envolver mais nos bate-cabeças. Meu irmão decide dar uma pausa também e entre uma música e outra marco presença no show do Ratos de Porão.
Detalhe, antes do fim da apresentação do grupo liderado por João Gordo, decido ir ao banheiro e caralho que visão infernal. Sabem o banheiro do jogo Silent Hill? Então estava desse estilo, a pia estava tomada por sangue, o espelho meio quebrado, alguns dentes espalhados e um segurança no lugar cuidando de tudo. A coisa estava perigosa e na hora pensei que poderia ter sido eu ali, mesmo assim eu tive que aprontar a maior.
Terceiro Round – Final
Depois que o Jano viu o estado do banheiro se apavorou, meu amigo é chicano e apesar de briguento, tem muito receio com essas coisas. O show do Sepultura estava para começar quando ele pede para irmos embora, assim pegaríamos o metrô a tempo e tudo mais. Claro que eu como o bêbado da noite respondo com um “Embora o caralho, eu quero ouvir Refuse Resist!”. Meu irmão concorda e diz que ficaremos para algumas músicas pelo menos, pedindo para eu ficar esperto com os carecas. Não deu outra Refuse Resist começou e eu já entrei com os dois pés no bate-cabeça de olho fechado.
Enquanto distribuía cotoveladas com a cabeça baixa viajando na música alguém me acerta em cheio na costela. Respiro fico de boa e sou acertado novamente no mesmo lugar, então decido revidar com tática de briga mesmo. Pensem o seguinte eu seguro o cara pelo pescoço na hora que ele iria acertar pela terceira vez, enquanto utilizo o braço direito para enforcá-lo dou murros com o braço esquerdo em sua cara, lembrando que o ser era mais alto que eu. Enquanto minhas mãos já doíam de tanta porrada eu tomo um chute em cheio pela frente próximo à virilha, eu apenas perco o equilíbrio de uma perna e não largo o cara. Levanto dando uma coturnada linda fazendo a pessoa de frente cair. Lembrem que eu estava de olhos fechados.
A música termina e solto o cara finalmente, a primeira coisa que vejo ao abrir meus olhos é meu irmão de longe com os olhos regalados gritando “VOCÊ É LOUCO!!!” Fato, eu era!!!
Olho para minha mão esquerda e vejo a quantidade de sangue, na minha frente um careca caído e atrás de mim mais ou menos 15 carecas olhando a cara estourada do amigo deles. Desespero-me e passo a mão na cabeça onde nesse instante sinto uma luz. PORRA EU RASPO A CABEÇA!!! Coincidência ou não isso deu certo e eu percebi a quantidade de malucos que existem no mundo, pois o cara que teve seu nariz detonado chega a mim e diz que eu bato para caralho, sou um monstro na roda e me respeita. Outros me cumprimentam e vejam só, me pagam mais cerveja. Vou com os carecas comprar mais bebida ainda e passo pelo meu irmão fazendo sinal de que vai entender e fica por isso mesmo.
Retorno para o Jano e digo que agora sim precisávamos ir embora, o Jano não pensa duas vezes, mas eu não podia ficar quieto. Quando estávamos nos dirigindo à saída vejo os carecas espancando um garoto caído. Todo mundo assiste e ninguém faz nada, chego para um segurança que estava assistindo tudo e ele me diz que não seria louco de se intrometer. Meu irmão diz para eu não ser louco de me envolver, e como de porradeiro e louco todo mundo tem um pouco apenas aviso: “Se prepare para correr!!!”
Entro no meio dos brucutus da mesma maneira que havia feito no bate cabeça distribuindo chutes e murros para tudo quanto é lado, enquanto eles procuravam o que o tinham atingidos, aproveitava para levantar o garoto e correr. Assim, meu irmão e meu amigo estavam na porta me esperando, quando eles me viram correndo correram juntos, e te garanto que só paramos de correr dentro do vagão do último metrô da noite. MEDO
A inconsequencia dos meus atos poderiam ter custado a minha vida, ou meus dentes, ou até mesmo trazendo grandes sequelas no meu cérebro, algo que eu acredito já ter. Enfim uma coisa é certa: Espero que ninguém da turma leia meu blog. O_O
